O ítalo-brasileiro Ricardo Henrique Rao, de 55 anos, foi distinguido com o primeiro prémio da 11.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, com a obra "Antologia Brutalista". O anúncio foi feito no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, no Palácio Galveias, em Lisboa, no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L.
Nesta edição, o júri atribuiu, igualmente, uma menção honrosa ao texto de poesia “Orlando”, da autoria do português João Brandão da Costa, de 50 anos.
A cerimónia foi presidida pela Diretora Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Laurentina Pereira, e pelo coordenador cultural da UCCLA, Rui Lourido.
A edição de 2026 registou um número recorde de candidaturas, com 650 obras provenientes não apenas de países de língua portuguesa - como Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe -, mas também da Alemanha, França, Itália, Reino Unidos, Países Baixos, entre outros, confirmando a crescente dimensão internacional do prémio.
Sobre o vencedor, Rui Lourido destacou o percurso de Ricardo Rao na defesa dos povos indígenas do Brasil, sublinhando tratar-se de um autor que alia “qualidade literária” a uma “forte dimensão ética”, refletida na defesa “daqueles que mais necessitam”.
Referindo-se à obra premiada, Rui Lourido descreveu "Antologia Brutalista" como um “livro muito forte e acutilante” sobre a realidade brasileira contemporânea, escrito “numa linguagem não propagandística”, acrescentando tratar-se de “um manifesto ao humanismo e ao que de mais belo existe no ser humano: a solidariedade”.
A editora define a obra como um conjunto de cinco blocos temáticos que retratam, com particular intensidade literária, a realidade social e humana do Brasil atual. Destaca ainda a capacidade do autor em transformar experiência e observação em criação literária de elevada qualidade e “mestria”.
Na sua intervenção, Ricardo Rao sublinhou as inquietações do atual contexto brasileiro: “vivemos num momento histórico terrível. Talvez não aqui em Portugal, talvez não na Europa Ocidental”, onde ainda encontro “uma paz e uma tranquilidade social que, do outro lado do Atlântico” estão a desaparecer “com uma rapidez incrível”. O autor acrescentou que “a rota da história está mudando” e que olha para o futuro com preocupação.
Resultado de mais de duas décadas de vivências na linha da frente da proteção dos povos originários do Brasil, "Antologia Brutalista" afirma-se como um testemunho literário de forte dimensão humana e ética. Sobre a imagem da capa, concebida pela editora, Ricardo Rao destacou o trabalho realizado “com muito brilhantismo”, considerando que esta “soube captar a mensagem” da obra.
Lançamento na Feira do Livro de Lisboa
Os leitores poderão conhecer a obra vencedora já no próximo dia 13 de junho, às 17 horas, na Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, Pavilhão da APEL, onde terá lugar o lançamento oficial de "Antologia Brutalista”.
Prémio de Revelação Literária
Criado em 2015, o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa é uma iniciativa da UCCLA, desenvolvida em parceria com a da Câmara Municipal de Lisboa e editora Guerra e Paz, com o apoio do Movimento 2014 - 800 anos da língua portuguesa.
O prémio tem como objetivo incentivar a criação literária em língua portuguesa, nos domínios da prosa de ficção - romance, novela, conto e crónica - e da poesia, distinguindo autores inéditos que nunca tenham publicado uma obra literária.
Ao longo das suas edições, o prémio permitiu já a publicação de 12 obras - dez vencedores e duas menções honrosas – revelando novos autores maioritariamente jovens, oriundos de diferentes geografias da lusofonia. As quatro primeiras obras distinguidas foram publicadas pela editora A Bela e o Monstro, seguindo-se a chancela da Guerra e Paz nas restantes edições.
O júri da edição de 2026 integrou destacadas personalidades do panorama literário e cultural de língua portuguesa: Hélder Simbad (ex-diretor da Biblioteca Nacional de Angola); Godofredo Oliveira Neto (representante da Academia Brasileira de Letras, Brasil); Germano de Almeida (Prémio Camões de Cabo Verde); Yao Jingming (professor catedrático e jubilado da Universidade de Macau); Tony Tcheka (presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, escritor e editor da Guiné-Bissau); Luís Carlos Patraquim (poeta laureado de Moçambique); José Pires Laranjeira (professor jubilado de Literatura Africana da Universidade de Coimbra, Portugal); Luís Cardoso (romancista laureado de Timor-Leste); João Pinto Sousa (Movimento 800 anos de Língua Portuguesa e cofundador do Prémio) e Rui Lourido (coordenador do júri em representação da UCCLA).
Vencedores das edições anteriores:
Publicações da editora Guerra e Paz:
10.ª edição: Boi de Claúdio da Silva (Angola e Portugal);
9.ª edição: Cantagalo de Fernanda Teixeira Ribeiro (Brasil);
8.ª edição: Breviário de Medo e Malícia de Leonel Araújo Barbosa (Portugal);
7.ª edição: Caligrafia de Alexandre Siloto Assine (Brasil);
6.ª edição: O Sonho de Amadeu de Leonardo Costa Oliveira (Brasil);
5.ª edição: O Heterónimo de Pedra de Henrique Reinaldo Castanheira (Portugal);
Publicações da editora A Bela e o Monstro:
4.ª edição: Praças de António Pedro Serrano de Sousa Correia (Portugal/Angola);
3.ª edição: Equilíbrio Distante de Óscar Maldonado (Paraguai/Brasil);
2.ª edição: Diário de Cão de Thiago Rodrigues Braga (Brasil);
1.ª edição: Era uma vez um Homem de João Nuno Azambuja (Portugal).