O Centro Português de Fotografia, no Porto, acolheu, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa enquanto espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, o Brasil e o mundo lusófono.
Promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia, o encontro reuniu escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico, num diálogo em torno da literatura como território comum da língua portuguesa.
A sessão de abertura contou com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.
A iniciativa contou com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.
Partindo da ideia de que a língua portuguesa não constitui uma herança imóvel, mas antes uma casa em permanente movimento, o encontro propôs uma reflexão sobre o português enquanto plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.
O programa estruturou-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro -, refletindo a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que, mais do que comunicar, cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.
A primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reuniu o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordou a língua enquanto criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.
Seguiu-se a apresentação do projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil. A iniciativa trabalhou a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participaram nesta apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA, Princesa Peixoto.
A segunda mesa, “Corpo, Memória e Travessia”, reuniu o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa refletiu sobre a forma como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e sobre como a literatura regista pertença, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.
Já a terceira mesa, “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contou com a participação do escritor José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, sob moderação da escritora e professora Maria Bochicchio. O debate propôs pensar a poesia como um dos lugares onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.
O encerramento da iniciativa foi assinalado com uma prova de cachaças e por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrou a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos.
Nota: Fotos UCCLA, Associação Portugal Brasil 200 anos e Museu da Fotografia