Decorreu, no dia 21 de abril, a apresentação do livro “O colono preto saiu do guarda-fato” da autoria de Sérgio Raimundo, no auditório da UCCLA.
Com a chancela da editora Oficina de Textos, a obra foi apresentada por Catarina Simão. Miguel Luís José moderou o debate em torno do livro.
Para Sérgio Raimundo “uma das coisas mais fáceis é ser-se escritor em Moçambique, pois há matéria-prima para ser-se escritor, há matéria-prima para ser-se fotógrafo. E o que eu faço são fotografias que eu vou tirando”, acrescentando que o título “colono preto saiu do guarda-fato” porque o que “nós vivemos em Moçambique é vergonhoso”. Ao mesmo tempo, o título do livro é uma “metáfora que convida à reflexão sobre os 50 anos de independência (de Moçambique)”, onde o autor questiona “o que nós produzimos desde 1975 até hoje?”, “zero” respondeu.
A apresentação contou com a leitura de algumas crónicas do livro por Cláudio da Silva - vencedor da última edição do Prémio de Revelação Literário, uma iniciativa da UCCLA.
Composto por um conjunto de crónicas centradas em Moçambique, “O colono preto saiu do guarda-fato” assume-se como uma reflexão literária dos 50 anos de independência do país.
Ao longo do livro, o autor aborda temas sociais, políticos e culturais, com o objetivo de questionar o leitor.

Sinopse:
"O colono preto saiu do guarda-fato" é um pequeno livro de crónicas sobre Moçambique, uma espécie de celebração, em jeito literário, dos 50 anos de independência. O livro aborda diversas temáticas ligadas a Moçambique com o intuito de provocar e questionar o leitor, convidando-o a refletir sobre os últimos acontecimentos que tiveram lugar em Moçambique e os 50 anos de independência. As crónicas deste livro seguem, em parte, a linhagem de escrita defendida por Jorge Amado "a história não deve ser explicada, mas contada".
Biografia:
Sérgio Raimundo nasceu em 1992, no bairro de Chamanculo, Maputo, Moçambique. É licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique, mestrado em Ciências de Educação pela Universidade de Algarve, Portugal. Atualmente, frequenta o doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Portugal. É escritor, professor, jornalista e cronista, colaborando em diversos órgãos de comunicação em Moçambique e Portugal. Vive dividido entre Moçambique e Portugal.
Publicou as seguintes obras: “Síntese e fragmentos da emoção”, poesia (2012); “Avental de um poeta doméstico”, poesia (2016); “A ilha dos mulatos”, romance (2020); “As ancas do camarada chefe” e “Peça desculpas, sua excelência”, crónicas (2023).
Foi Prémio Nacional de Slam Poetry (2011) - Moçambique; vencedor do concurso literário Fim do Caminho (conto, 2016) - Moçambique; menção honrosa na novela e poesia no Prémio Literário 10 de Novembro (2017 e 2018) - Moçambique; Prémio Africano de Imprensa Escrita da Merck Foundation (2018) - Quénia; Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa (2019), Portugal - Moçambique. Fez parte da Powerlist: lista das 100 figuras negras mais influentes da lusofonia (2023). Teve o segundo lugar do Prémio Literário António Mendes Moreira 2024, Portugal.