O Convento de São Francisco, em Santarém, acolheu, no dia 25 de setembro, o 4.º Encontro Nacional das Guardiãs da Natureza, organizado pela Business as Nature, em coorganização com o Município de Santarém, que conta com a UCCLA entre as entidades parceiras.
A iniciativa reuniu cerca de 250 participantes, incluindo mulheres agricultoras, investigadoras e empreendedoras, para partilhar experiências e projetos que aliam a valorização dos territórios à sustentabilidade ambiental.
A UCCLA apoia com todo o empenho o trabalho desenvolvido pela Business as Nature e pela sua rede de Guardiãs da Natureza, reconhecendo o contributo das mulheres para a conservação da biodiversidade, a promoção da economia circular e o desenvolvimento sustentável das comunidades.
A Secretária-Geral da UCCLA, Embaixadora Paula Leal da Silva, moderou o painel “Apresentação das Guardiãs da CPLP”, que contou com a participação de Mariza Monteiro, de Cabo Verde, e Ana Janaína Silva, do Brasil.
Durante o painel, a empresária e artesã Ana Mariza Monteiro apresentou o trabalho desenvolvido no âmbito do projeto “Nosso Património, Nossa Riqueza”, que promove o artesanato na aldeia piscatória de Porto Mosquito, no município da Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde. Cofinanciado pelo Camões, I.P., o projeto é desenvolvido pela UCCLA/URB-África, em parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, a Associação Lantuna e a Embaixada de Cabo Verde em Portugal/Centro Cultural de Cabo Verde.
Ana Mariza Monteiro destacou a criação da empresa Mulheres Artesãs no âmbito deste projeto, conjugando a produção artesanal, a expressão artística e a proteção ambiental. Através da recuperação e reutilização de resíduos marinhos, em especial redes de pesca, a empresa cria peças únicas que contribuem para preservar o ambiente e valorizar o património cultural de Porto Mosquito. O seu artesanato é certificado pelo Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design de Cabo Verde, do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.
O trabalho das Mulheres Artesãs esteve também em exposição no Convento de São Francisco, permitindo aos participantes conhecer peças que ilustram a ligação entre os saberes locais, a criatividade e a sustentabilidade.
Por sua vez, a Guardiã do Brasil, Ana Janaína Silva, abordou a arte amazónica e o potencial da rede para valorizar a natureza, as comunidades e os territórios.
O encontro reforçou a importância de dar visibilidade a projetos liderados por mulheres e de promover a partilha de conhecimentos e a criação de parcerias. A rede Guardiãs da Natureza procura valorizar o papel das mulheres na agricultura, na silvicultura e no desenvolvimento sustentável do mundo rural, impulsionar a transição para a economia circular e a conservação da biodiversidade, bem como divulgar iniciativas locais desenvolvidas em diferentes regiões.