A Conferência Radar África, promovida pelo Jornal de Negócios, reuniu, no dia 6 de março, no Hotel Epic Sana Amoreiras, em Lisboa, decisores e especialistas para discutir os caminhos de Angola num contexto global em transformação. O Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, esteve presente e abordou o tema da cooperação.
Com José de Lima Massano, Ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, como orador principal, o encontro centrou-se nas prioridades estratégicas do país, na diversificação económica e no seu posicionamento regional e internacional.
O Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, afirmou que a cooperação assume hoje um papel central no desenvolvimento económico e no reforço dos laços entre países, sobretudo num mundo cada vez mais urbano. Atualmente, mais de “50% da população mundial vive em cidades, e prevê-se que, dentro de duas a três décadas, esse número ultrapasse os 70%”. Este crescimento torna as cidades o principal palco onde se constrói a vida das pessoas e, consequentemente, onde se decide o futuro económico.
Neste contexto, a cooperação para o desenvolvimento acontece, cada vez mais, entre cidades. É nas cidades que se enfrentam os grandes desafios do quotidiano, como “acesso à água potável, energia, habitação, mobilidade, infraestruturas e digitalização dos serviços”. São os municípios que têm a responsabilidade de responder a estas necessidades - e é precisamente aí que a cooperação intermunicipal ganha relevância. No espaço lusófono, esta cooperação é particularmente estratégica. Muitas “cidades em África de língua portuguesa encontram-se numa fase de reconstrução e crescimento, o que representa uma oportunidade única para beneficiar da experiência acumulada de cidades portuguesas”. Este processo, que podemos designar como “diplomacia municipal”, permite uma transferência direta e eficaz de conhecimento.
Ao contrário das relações entre Estados, frequentemente marcadas por burocracia, a cooperação entre cidades é mais fácil. Ela acontece de forma “capilar”, entre “arquitetos, engenheiros, autarcas, historiadores”. Esta proximidade elimina barreiras e aumenta significativamente a eficácia das soluções. Importa também sublinhar que “cooperação não é apenas solidariedade”, é, sobretudo, um instrumento de desenvolvimento. Ao partilhar conhecimento, tecnologia e competências, as cidades criam “projetos de futuro adequados” às exigências do mundo moderno.
Para Luís Álvaro Campos Ferreira, a “UCCLA é a melhor concretização da lusofonia” e mais do que um legado histórico (criada em 1985), é hoje uma “rede viva de cidades que comunicam entre elas, desde a dimensão cultural, económica até à desportiva”.
“Hoje mais de 50% da população mundial vivem em grandes centros urbanos. Em poucas décadas, mais de 70% da população mundial vai viver em centros urbanos” e a cooperação entre cidades deve acompanhar esta evolução, promovendo não apenas troca de experiências, mas também iniciativas concretas de desenvolvimento económico, acrescentando que “a cooperação não é só um ato de solidariedade, é um ato de desenvolvimento”.
Para o responsável, as relações de Portugal com Angola são um exemplo claro do potencial desta cooperação. Existe uma ligação histórica, cultural e linguística profunda, que facilita a criação de parcerias económicas sólidas. “Nós chegámos a ter 180.000 portugueses em Angola, 10.000 empresas a exportarem para Angola, 2.000 empresas portuguesas, mas de direito angolano, instaladas em Angola”.
No entanto, o verdadeiro valor desta cooperação está na forma como é conduzida - não se trata apenas de “ir lá, é o levar para lá, não é ir lá acampar, é deixar lá ficar o conhecimento”. Finalizou destacando que, a cooperação é mais do que uma herança histórica, é uma ferramenta ativa para responder aos desafios do presente e construir soluções para o futuro.
Entrevista a Luís Álvaro Campos Ferreira conduzida por Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios
Poderá visualizar a “Conferência Radar África - Os Caminhos de Angola” aqui
Fotos: Jornal de Negócios