Agenda 2030 em debate na UCCLA

Agenda 2030 em debate na UCCLA

O debate sobre a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável decorreu no dia 11 de fevereiro, no auditório da UCCLA, com a participação do Embaixador Macharia Kamau, Secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros no Quénia, Bernardo Ivo Cruz, administrador executivo da SOFID, e com moderação da jornalista Cristina Peres, do semanário Expresso.
 
O evento foi organizado pelo Clube de Lisboa, Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e pela UCCLA, e teve o apoio do Instituto Marquês de Valle-Flôr e da Câmara Municipal de Lisboa.
 
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Em nome do Secretário-Geral da UCCLA, Vítor Ramalho, o técnico João Laplaine Guimarães deu as boas vindas a todos os presentes.
 
Para o Embaixador Macharia Kamau a Agenda 2030 é exequível, mas a “real questão que nós nos devemos perguntar é se ela será alcançável. Ela é exequível porque ela foi desenhada/traçada sob o consenso de todos os países do mundo, ela é a única… Ela é de facto a primeira e única Agenda de Desenvolvimento que foi colocada pela Comunidade Global e que foi aceite por todos os países do mundo, como uma estrutura de desenvolvimento para o mundo.”
 
Abordando os 17 objetivos da Agenda 2030, referiu que o primeiro é “acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares”, o segundo e terceiro passam por “alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável, em todo o lado, e para toda a gente”, acrescentando que desde a 2.ª Guerra Mundial tem havido um “progresso incrível a nível global” mas os países deverão continuar a promover essas metas, unidos e a agir em conjunto “para chegar àqueles que ficaram para trás”, aos países mais pobres, às comunidades mais pobres, proporcionando “segurança completa”, assegurando “melhores condições de saúde”, fornecendo “acesso a uma boa educação” pois dessa forma “poderíamos criar uma maior igualdade e equidade em todas as sociedades, em todo o lado. Porque se nós o fizéssemos, nós teríamos um mundo melhor.” 
 
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Destacando que os objetivos para um mundo melhor são muitos, alertou que “está tudo muito bem em acabarmos com a pobreza, está tudo bem em proporcionar uma boa saúde às populações, está tudo muito bem em fornecer boas habilitações e boa educação, mas se você viver num mundo em decomposição, um mundo onde a poluição está a desenvolver cancros, onde o ambiente está a começar a atacar a nossa própria existência, através das alterações climáticas, através do colapso da biodiversidade, qual é o objetivo? Nós estamos a destruir o único mundo que nos tem sustentado! Portanto nós criamos objetivos para proteger a nossa floresta, para proteger o nosso ecossistema, para proteger o nosso clima, para proteger a nossa água. Porque nós reconhecemos que se nós não o fizéssemos, nós não teríamos um planeta para viver.” 
 
Reforçou, ainda, que os jovens, à luz da Agenda 2030, estão a exigir aos seus governos uma maior proteção para o “ecossistema em que vivemos”. 
 
O “papel das empresas privadas e dos serviços privados no desenvolvimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” foi o foco da intervenção de Bernardo Ivo Cruz. A primeira premissa “é que as empresas estão empenhadas em ter lucro, é esse o seu papel e é isso que nós esperamos delas” e “quando uma empresa investe num país em desenvolvimento, ou numa economia emergente e elas criam empregos e pagam salários dignos, elas estão a criar condições para o Desenvolvimento Sustentável”, afirmando que o sector privado tem um “papel muito importante em tornar a Agenda 2030 exequível e alcançável”.
 
Para Bernardo Ivo Cruz é possível o “uso dos ODS como ferramenta para a educação das próprias empresas”, dando o exemplo concreto da SOFID, empresa onde é administrador, e de um hotel que a empresa investiu em África. Abordou, posteriormente, os “ODS enquanto estratégia para negócios” dando como exemplos a Shell, o Grupo Pestana em São Tomé e Príncipe e a GSIA (Global Sustainable Investment Alliance).
 
 
 
 
 
 
Publicado em 15-02-2019