Paulo Miraldo

A UCCLA, ao longo dos tempos, afirmou-se como uma instituição de carácter transmunicipal vocacionada para uma cooperação descentralizada e atenta às reais necessidades dos diversos povos cujo vector comum é a língua portuguesa.

Assim, ao comemorar-se o vigésimo aniversário da instituição, são vários os desafios que se lhe apresentam, obrigando-a a modernizar-se, a transformar-se num eixo importante da cooperação pró-activa, aglutinando um conjunto de actividades responsáveis, tendo como principal lema a criação de condições de acesso à cultura básica, permitindo deste modo uma partilha em iguais circunstâncias a todos os cidadãos que escolheram o Português para sua língua oficial.

Ao longo destes últimos três anos, a UCCLA evidenciou uma evolução qualitativa e quantitativa desde o momento da sua génese, constatando-se igualmente um alargamento e enriquecimento dos fins que estiveram na sua constituição. Se devemos prestar homenagem a Nuno Kruz Abecasis que há vinte anos, de um modo pragmático, teve a visão de constituir uma instituição que se preocupasse com a cultura e língua portuguesa, unindo cidades e pessoas, não devemos, do mesmo modo, deixar de assinalar quem, nos dias de hoje, arriscou, apostando na modernização da instituição, dotando-a de mecanismos financeiros e de recursos humanos, transformando-a num referencial em todos os países lusófonos, contribuindo deste modo decisivo para uma nova abordagem da cooperação. Uma palavra a Pedro Santana Lopes, enquanto Presidente da Comissão Executiva, por ter tido essa visão e por ter permitido que a UCCLA tivesse uma afirmação na cena internacional num processo irreversível dado que a concretização se tornou o lema da instituição.

Tendo decorrido vinte anos, o principal desafio é o da exigência, da criatividade e da responsabilidade. Estes vinte anos demonstram ser possível que instituições criadas pelo poder político, mas devidamente enquadradas nas suas acções e objectivos, se mantêm intactas e com uma continuidade nos pressupostos, independentemente das orientações que a cada momento os responsáveis vão implementando.

A UCCLA, podemos afirmar sem qualquer margem para dúvida, é hoje um agente importante neste mundo que fala Português e acaba por fortificar cada vez mais laços entre países, cidades e pessoas espalhados por vários continentes. Sejamos, então, claros, tudo isto só é possível porque existem mulheres e homens que desde sempre, como colaboradores da UCCLA, deram e continuam a dar o melhor de si, numa dedicação ímpar e com um profissionalismo tal que, quaisquer que sejam os dirigentes, a equipa funciona plena de motivação. Desenganem-se aqueles que julgam que cooperação tem alguma coisa a ver com caridade. A verdadeira cooperação não é mais do que uma aprendizagem comum, onde todos aprendem, mas, sobretudo, onde todos se respeitam. É essa a essência da UCCLA.

Direi, para terminar, que tenho a certeza que ao longo dos próximos vinte anos a UCCLA existirá ainda maior e ainda mais solidária.

Funções

Secretário Geral da UCCLA (2004)